Instrumentos cirúrgicos antigos

Coleção de Instrumentos Cirúrgicos do Império Romano
 
 
No inicio do império romano, o conhecimento médico era baseado em uma combinação de técnicas físicas e medicina holística, com rituais e crenças religiosas. Grande parte do conhecimento cirúrgico veio da necessidade de emprego de técnicas mais eficientes nos campos de batalha, principalmente sob comando de Gaius Marius (157 a.C. - 86 a.C.), que tornou o exército romano a força mais treinada e disciplinada da época; entretanto, junto com o grande exército, vieram grandes perdas e sofrimentos em batalhas, motivo para inovações médicas e a divulgação desse conhecimento. Os cirurgiões possuíam a sua disposição medicamentos para dor e sedativos, como extratos de ópio e de Hyoscyamus niger (escopolamina). Embora não conhecessem os microorganismos, muito menos sua relação com a infecção, ferviam seus instrumentos médicos antes do uso e usavam vinagre para lavar feridas, curiosamente anti-séptico melhor que o ácido carbólico usado por Joseph Lister em 1865. Já era de conhecimento comum para os cirurgiões romanos que artérias e veias levavam sangue, porém a circulação sanguinea só foi descrita por William Harvey em 1628.
Neurocirurgiões dessa época, Leonidas, Heliodoros (cirurgião praticante) e Antyllos escreveram capítulos sobre as experimentações no cérebro humano, que depois foram compilados por Oribasios (escreveu Coleções Médicas), Aitios e Paulos. Justapostos aos experimentos de Galeno, mantiveram um período entre 60 e 215 d.C. repleto de pesquisa e prática. Procedimentos para tratamento de fraturas de crânio, como rogme e katagma e para trepanação em uma fratura com depressão, como empiesma, foram descritos por Heliodoros e Galeno. O primeiro tratava pacientes feridos, enquanto Galeno dissecava bovinos para aprender sobre as complicações das penetrações da dura-mater.
Estes são instrumentos cirúrgicos do Império Romano, sendo a maioria de ferro, alguns de bronze, datados de 100-200 d.C. Os materiais assemelham-se aos modernos dissectors retos para neurocirurgia, ruginas para dissecção de periósteo, inserção muscular ou escalpelo, agulhas de passagem de fio, cabo de serra de Gigli, fresa do Drill para trepanação, ganchos, probes, curetas, cautérios e outros.
 
Amato 2009
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